Dentre as quatro cartas escritas por Paulo estando ele em uma das suas prisões, existe uma que possui peculiaridades, que à primeira vista pode parecer sem sentido estar contida na Bíblia, mas que com um olhar mais atento se pode encontrar ricos ensinamentos. Essa carta é a que o apóstolo escreve para Filemom, que apesar de ser a menor carta escrita por Paulo, é a que possui um dos temas mais marcantes.
Resumidamente, Filemom era um cidadão romano que morava em Colossos e se tornou seguidor de Jesus em uma das viagens de Paula. Mais tarde, Filemom se torna um dos líderes de uma igreja que se reunia em sua casa na cidade de Colossos. Por ser de uma classe bem abastada, possuía escravos conforme o normal da cultura da época. Porém em algum momento Filemom e seu escravo Onésimo se desentenderam, e o segundo fugindo, provavelmente foi buscar ajuda em Paulo, que no processo se torna um seguidor de Cristo e um ajudador do apóstolo. É então que a carta é escrita a Filemom.
Essa carta possui uma estrutura simples e frequente nas demais cartas de Paulo, começava com uma introdução seguida por ações de graças, depois com o assunto principal da carta e finaliza com uma saudação e uma fórmula conclusiva. Na introdução, Paulo está falando de Koinonia, que vem do grego e significa compartilhar, dessa forma ele fala que, a fidelidade à Cristo Jesus, significa dizer que todos os seguidores são iguais e que compartilham o amor e a graça de Deus. Em seguida, Paulo vai fazer um pedido inédito a Filemom, que o mesmo não apenas perdoasse seu escravo, mas que o aceitasse como um irmão no Messias e não mais como um escravo, ou seja, que ele aceitasse Onésimo como seu igual. Sob a lei romana, Filemom tinha o direito de punir seu escravo, mas o pedido feito pelo apóstolo é que esse conflito seja resolvido, mas da forma que um seguidor de Jesus faria.
Portanto, a carta de Paulo a Filemom fala poderosamente sobre reconciliação, que trás relação direta com a obra de Cristo na Cruz, conforme diz 2 Coríntios 5:19 “Isto é, Deus estava em Cristo reconciliando consigo o mundo, não imputando aos homens as suas transgressões; e nos confiou a palavra da reconciliação.”, e essa é uma atitude que todos os seguidores do Messias devem tomar para se exercer a Koinonia proveniente da transformação do evangelho. Sendo assim, a pequena carta possui um um conteúdo muito a frente de seu tempo, pois a ideia de que diante de Cristo não existem diferenças de etnia, idade, classe social, entre outras, é revolucionária para a cultura da época.
Dessa forma, a carta de Paulo a Filemom ensina sobre perdão, reconciliação e igualdade em Cristo, princípios essenciais para os dias atuais. Assim como Filemom foi desafiado a receber Onésimo como irmão, somos chamados a perdoar e restaurar relacionamentos, superar barreiras sociais e combater a discriminação, reconhecendo que todos são iguais em Cristo (Gálatas 3:28). Além disso, a transformação de Onésimo nos lembra que ninguém está além da graça de Deus e que o Evangelho tem poder para mudar vidas. Os cristãos, como igreja, devem ser agentes de reconciliação, promovendo paz e justiça em nossas comunidades.





